Por Bernardo ValençaOs orelhões foram perdendo a importância com o tempo. Ninguém sabe se hoje servem mais para passar trotes, proteger contra uma chuva repentina ou dar topadas em cegos, que frequentemente batem a cara na concha do aparelho.
Só no Brasil, o número de aparelhos móveis aumentou em quase 500%, desde 2001. Enquanto número de telefones públicos nacionais decresceu 17%. Mostra que os orelhões precisam de uma nova finalidade – ou serão extintos, ou transfigurados.
Nos Estados Unidos, eles servem de local para o Super-homem trocar de roupa. Outros países, como a Inglaterra, os têm como símbolo; turistas de todo o mundo tiram foto das cabines vermelhas. Já na Espanha, especificamente em Madri, os orelhões vão servir de posto de abastecimento para carros elétricos.
Trinta orelhões foram selecionados como cobaias na capital espanhola. A transformação visa estimular o uso de carro elétrico na cidade e aproveita da infra-estrutura deixada pelos aparelhos públicos.
Porquê os orelhões? Pois eles estão geralmente perto do meio-fio – o que facilita o abastecimento dos veículos – e, principalmente, pois já estão ligados a uma rede elétrica – o que ajuda na instalação do aparelho de recarga.
“Ainda é uma coisa muito embrionária”, diz o engenheiro eletrônico Daniel Arraes. “A Espanha inteira só tem menos de 50 carros elétricos, e esse teste está sendo feito somente em Madri”, conta o engenheiro.
Além disso, a cidade está estimulando a compra desses novos veículos com outras iniciativas. Como reduzir os impostos e não cobrar estacionamento para os carros elétricos, pretendem aumentar para 2 mil o número desses veículos na rua.
O aparecimento dos carros elétricos nas ruas é algo que tende a acontecer em breve. As pessoas estão cada vez mais cientes de que precisam fazer algo pelo planeta e os veículos movidos a eletricidade é uma das alternativas para não poluir tanto o mundo; pois não soltam CO2 na atmosfera e são mais silenciosos.
O primeiro automóvel elétrico foi construído em 1838, pelo inglês Robert Davidson e, no final do século 19, eram mais populares do que os movidos a gasolina. Mas haviam barreiras que até hoje precisam ser enfrentadas, como a autonomia e o tempo de recarga da bateria. Antes da solução do problema, a Ford lançou o Ford T, em 1909. Carro movido a gasolina que se tornou febre na época e acarretou uma onda por carros movidos a combustão.
Hoje, com a poluição e com um previsto esgotamento dos combustíveis fósseis, se pensa mais em soluções alternativas. Tornar viável o uso dos carros elétricos em Madri pode parecer pouca coisa, mas é um reflexo de uma atual onda de pensamento. Mostra que estamos projetando conscientemente o mundo; com idéias simples, criativas e viáveis para a solução dos nossos problemas.

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